Regresso às aulas: o drama (ou não)

A propósito do regresso às aulas, principalmente das crianças mais pequenas, li um texto fantástico no blogue “A Pipoca mais Doce” do qual deixo este excerto:

“No outro dia alguém me deixou aqui um comentário a dizer que é um disparate deixar crianças destas idades (três, quatro, cinco anos) na escola, que deviam era estar em casa com os pais, a brincar. Ah ah ah ah ah ah! Foi mesmo esta a minha reacção, um grande “ah ah ah ah ah”, porque é a única possível.

Gosto muito do meu rico filho, não há ninguém que eu ame mais no mundo, mas preferia extrair os quatro sisos e um rim, sem anestesia, do que ter de passar seis anos com ele sozinha em casa. A brincar! Por Deus, a brincar! Estou programada para aguentar doses curtas de lutas, carros e chutos na bola, mas anos? ANOS? Está tudo doido, ou quê?

A escola é boa. Para eles e para nós. Para eles porque aprendem, brincam, convivem, partilham, desenvolvem novas competências, ganham outras regras e rotinas. Não demitem os pais das suas funções, mas ajudam-nos, e muito. E para nós é bom porque… precisamos de ter vida. Precisamos de ir trabalhar, ganhar dinheiro, essas coisas básicas à nossa existência, e se não fosse a escola estávamos bem fod…lixados.

Posto isto, viva a escola! Repitam comigo: a escola é boa, a escola é amiga, a escola faz bem, a escola devolve-nos um pouco da sanidade mental perdida durante as férias. Uma vez mais, ergo o meu copo às educadoras. Vocês são as minhas heroínas. Sobretudo em Setembro. Respect.”

 

Eu encontro-me num meio-termo bipolar da coisa. Porque, nestes primeiros dias de regresso às aulas tanto choro copiosamente pelos corredores da escola quando deixo uma das minhas filhas, como deixo a outra com toda a calma e serenidade do mundo, no meio de um caos de miúdos chorosos e agitados e educadoras todas descabeladas (pudera!)

E porquê?

Claro que não será por gostar mais de uma que da outra (minhas ricas filhas!). O que se passa é que a mais pequenina, ainda pouco habituada a estar noutro sítio que não em casa, chora quando a deixamos e fica a olhar para nós a fazer beicinho. É complexo para os nervos de uma mãe mole. Que dor de alma!

A outra, que já está naquela escola há dois anos e mantem os colegas de sempre, não faz grande filme e limita-se a ficar ali no meio da confusão, ora estupefacta ora a rir, quando lhe faço caretas enquanto vou saindo da sala de fininho.

Por isso compreendo as mães que se descabelam todas quando os miúdos vão para a escola porque também me custa.

Agora, se preferia ficar com elas em casa até aos 6 anos? Nem por isso.

O que preferia era deixa-las menos tempo na escola. Ter a possibilidade de trabalhar por objetivos, a partir de casa, 5 ou 6 horas por dia, de forma a poder estar com as minhas filhas mais do que 2  ou 3 horas por dia, em que o tempo para brincar é pouco, depois dos banhos, alimentação e todas as obrigações inadiáveis estarem completas.

E também compreendo as mães que ficam bem felizes com o regresso às aulas. Não que eu fique extremamente feliz com o regresso às aulas das minhas filhas, mas fico serena, calma e com a alegria reconfortante de saber que elas ficam bem e entregues a pessoas profissionais e amorosas.

Não consigo criticar os pais que ficam felizes com o regresso às aulas porque estar com os miúdos 24 horas por dia durante semanas é bom, mas também é muito cansativo. Principalmente quando são muito pequenos e requererem constantemente a nossa atenção.

Nisto da parentalidade (quase) todas as emoções são permitidas e aceites. É por isso que este texto da Pipoca Mais Doce é delicioso, muito engraçado, atual e honesto.

Nova Na Cidade

Ser sempre nova na cidade e a cidade ser nova para mim podia ser um estado de espírito. O que me define. G
osto de mudança, de novidade, de frescura.
A minha casa é a minha família. Todas as outras coisas podem ir mudando regularmente.

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