Blogue anónimo – as minhas razões

Vamos por partes. Antes de explicar porque tenho um blogue anónimo, vou explicar porque é que tenho um blogue.

Tenho um blogue porque tenho uma necessidade enorme de escrever e de comunicar. É algo que preciso de fazer para manter alguma sanidade mental e até física. Os pensamentos e as palavras brotam na minha mente a uma velocidade impossível e tenho mesmo que as canalizar para algum lado.

Desde que me lembro de aprender a escrever que escrevo. Em diários de papel, folhas soltas, num guardanapo de papel ou apenas na minha cabeça, fazendo discursos imaginários que perdem o sentido alguns momentos depois.

Escrevo, acima de tudo, para mim.

Mas não me faz sentido escrever só para mim. Preciso que leiam o que escrevo, gosto que me respondam e fico genuinamente feliz se me dizem que as minhas palavras descrevem de alguma forma o que se passa numa outra mente que não a minha.

É por isso que tenho um blogue, para partilhar com outras pessoas muitas das palavras e pensamentos com que a minha mente me brinda. Se outras pessoas virem alguma serventia nisso, tanto melhor.

 

E porque é que este é um blogue anónimo?

Primeiro porque eu não sou apenas eu. Sou eu e a minha família e os meus amigos. E mesmo que não me importe nada com o que os outros pensam de mim, importo-me imenso com a privacidade dos meus. Não teria como perguntar a todas as pessoas de quem falo se se sentem confortáveis com isso ou não. E, em caso de dúvida, não exponho as suas identidades.

Isto é particularmente importante no que diz respeito aos filhos. Os pais tomam muitas decisões por eles, é verdade. Esta de os expor publicamente seria só mais uma. E não condeno quem o faz, não mesmo. Não estou aqui para julgar ninguém, até porque não o poderia fazer.

Posso não concordar com a forma como algumas pessoas fazem as coisas mas não coloco em causa o seu carácter. Temos, apenas, formas diferentes de encarar algumas realidades. Nada mais do que isso.

Leio imensos blogues que abordam o tema da maternidade de uma forma maravilhosa, que têm fotos lindíssimas das crianças e que são uma verdadeira inspiração para mim.

Mas depois de muito pensar opto por não o fazer. Não quero expor as minhas filhas. Não sem elas o permitirem, tendo consciência do que é a exposição pública e quais as suas consequências. Li esta reportagem que me deixou a pensar um bocado nisto.

 

A questão das crianças

Nos blogues e canais de Youtube que sigo, em que aparecem crianças, já vi muitas coisas que não quero para a minha realidade. Comentários muito cruéis sobre as crianças e sobre os pais. E, não consigo deixar de sentir que nenhuma criança deveria ser exposta a isso. Não sem ter consciência desta realidade e sem concordar em fazer parte dela.

Isto serve para a minha família. Sublinho que outras pessoas pensam de forma diferente e serão excelentes pais e excelentes pessoas na mesma. Como é obvio.

Outro motivo que me levou a manter a anonimidade do blogue está relacionado com uma espécie de auto-censura que nos impomos quando sabemos que pessoas próximas de nós podem ler o que nós escrevemos. Isso existe e limita imenso.

Este blogue anónimo é um espaço que se quer construtivo, alegre e pacífico. Vou evitar trazer para aqui assuntos polémicos ou que envolvam críticas menos boas a algo ou a alguém.

Claro que existem sempre coisas de que quero falar que pode ser mal interpretadas por outras pessoas ou ferir algum tipo de suscetibilidade. Escrever com dezenas de filtros a pensar em todas as possíveis interpretações que possam fazer das minhas palavras é algo que não me apraz.

É por isso que sou nova na cidade, cheia de vontade de olhar e descrever tudo com a curiosidade de um principiante que tem, ao mesmo tempo, a mania que sabe algumas coisas.

Nova Na Cidade

Ser sempre nova na cidade e a cidade ser nova para mim podia ser um estado de espírito. O que me define. G
osto de mudança, de novidade, de frescura.
A minha casa é a minha família. Todas as outras coisas podem ir mudando regularmente.

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